O Palco
Na saída do metrô Consolação, ali bem na esquina da Av. Paulista e Augusta, há uma estrutura de metal quadrada de aproximadamente meio metro de altura e sem utilidade aparente para os milhares passantes. Mas, em dias escolhidos criteriosamente sem critério, um homem a usa para propósitos distintos do previsto por-vai-saber-quem a colocou ali. De barba e cabelo grisalhos e sem corte que o fazem aparentar mais idade do que provavelmente tem, ele sobe com pouca dificuldade na estrutura e, de pé, tira do bolso um radinho e um fone redondo que posiciona recobrindo suas orelhas. Sua calça jeans é sempre acompanhada de uma camiseta verde que cobre uma barriga avantajada pelo tempo. Ali, meio metro acima dos transeuntes, em uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo, ele dança. Simplesmente, dança. Assim, sem coreografias e sem vergonha. Sem restrições de ritmos musicais ou passos da moda. Pode até ser que daquele radinho nenhum som real ecoe através dos fones até seus ouvidos, mas isso não importa. Em seu pequeno palco improvisado e sem causar muitas reações do público passante, ele passa suas horas. Dançando.
Toda vez que desço na estação Consolação, subo as escadas rolantes e vejo seu corpo se mexendo ao som de buzinas, escapamentos e conversas jogadas ao vento, me lembro de como tudo pode ser assim, leve. Surpreendentemente leve.
E caminho sorrindo.
Já vi esse homem várias vezes lá…. é divertido!