Saudade
Acho saudade uma palavra muito nossa. Meu sentimento de propriedade em relação a essa palavra é tão intenso que em momentos chego a acreditar que apenas os nascidos ou adotados por essa nossa terra possam senti-la. Parte constituinte do conjunto de palavras e sentimentos inexplicáveis, só entende quem a vivencia, sem explicativos de wikipedia ou descrição de dicionários, o que só a torna ainda mais charmosa. Pena que palavra e sentimento ambos tão fortes e tão bonitos se façam presentes apenas quando há falta.
De algo, de alguém, de outrora.
Pesares cumulativos esses, que conforme os anos passam e a vida acontece, coisas se somam e se vão, aumentando progressivamente essa sensação que tão apropriadamente chamamos de saudade. Existem situações nas quais pode se tentar revertê-la e existem outras que não há remédio que cure, saudades de tempos passados que existiram graças a uma combinação de elementos que mesmo reaglutinados não surtiriam o mesmo efeito. E, no fim, tudo que te sobra é a saudade.
Então, vivemos coisas incríveis e outras nem tanto, conhecemos pessoas incríveis e outras nem tanto e vamos ac
umulando ao longo da vida saudades e mais saudades até virarmos aqueles senhores de idade que por vezes nos incomodam de só falar e reviver o passado.
Tão forte é esse sentimento que chego a acreditar na possibilidade e literalidade da expressão imortalizada na saudosa voz de Tim Maia:
Vou morrer de saudade.
Meu Deus, que intenso.
Acho que vou morrer também!