o tempo e o agora
Dizem que o tempo cura tudo. Que leva as dores, os desamores. Dizem que passa. Passa e leva tudo com ele.
O Tempo, essa percepção subjetiva, marcada por anos, meses, semanas, dias e horas, que apesar da exatidão dos números insiste em acontecer em velocidades diferentes dependendo da situação, condições de temperatura e pressão.
O Tempo voa, sussurram ao meu ouvido. Sim, voa. Bem naqueles momentos em que tudo que queremos é que ele pare, congele para sempre. E congerlarse é uma tarefa que cumpre tão bem quando o que mais precisamos é que ele voe. Voe, passe como um furacão, levando todo esse aperto no peito.
Acredito mais no Agora. Sem procedimento de medidas, sem meias palavras, sem futuro. Agora. Porque a dor que eu sinto agora, essa que me prometem que o tempo um dia levará, é o que tenho. O tempo será para sempre uma promessa. Ao percebê-lo, já passou.
E o que o tão querido tempo traz? Traz os cabelos brancos que tentamos disfarcar com tinturas, traz as rugas que tentamos acabar com o botox, traz saudades. Sim, ele também traz experiência, sabedoria, nós estamos cansados de ouvir. Mas será que não chegam tarde demais? E o que fazer agora, ainda sem elas? Dê tempo ao tempo, ouço.
Talvez o princípio de conclusão dessa linha de pensamento confusa e tortuosa que provavelmente não será concluída jamais, seja que eu sei que o tempo e suas velocidades não passam de uma percepção minha sobre ele, que é distinta da percepção que outras pessoas tem sobre o mesmo período de tempo e que na verdade milhares de fatores influem na sua passagem, mas ainda assim é o Agora que me assusta. É com toda a profusão de sentimentos que eu sinto agora que não consigo lidar.
A promessa do tempo é apaziguadora, mas o que eu faço agora?
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