Arquivo para outubro \16\UTC 2009

Manifesto Feminino

Todo mês é a mesma coisa. Sorrateiramente ela chega e aos poucos se impõe com firmeza. Todo mês eu tento evitá-la e todo mês, apesar de meus esforços, ela ataca. Inimiga número 1 dos homens, é também desculpa esfarrapada de quando estes não querem reconhecer seus próprios defeitos. Ah – eles dizem – entendi, tá na TPM, né? Se sim, estamos na TPM, um sentimento intenso se multiplica e a vontade é de danar profundamente a saúde de nosso interlocutor. Se não estamos na TPM, então esse sentimento se mistura a dor da injustiça. Não há maneira de fazer esta declaração e sair ileso. É verdade, são dias intensos. O inchaço preeenche nosso corpo, dificultando a escolha de roupas e consequentemente declarando guerra contra o armário. As dores, para algumas mulheres, constante, para outras, um incômodo, fica a espreita. E o mau-humor definitivamente não é algo facilmente evitável. Alguns remédios prometem ajudar, vendem a cura para os sintomas femininos. Para mim, a pílula ajudou com as dores – muito obrigada – mas  normalmente  é o emocional que toma conta e para isso não há o que fazer. O que antes poderia ouvir sem nem pensar em me ofender, vira motivo para ir chorar no banheiro, me abato por uma vontade tremenda de ver filmes hollywoodianos genericamente rotulados de comédias românticas e choro ao cair nas mesmas fórmulas que eu sei serem fabricadas, amaldiçoando o mundo por não criar pessoas assim como os roteiristas criam personagens e nem situações capazes de transformar minha vida em 90 minutos. E sempre acompanhada de chocolates, é claro. E como diz, Ricardo Arjona em uma música sobre o tema, “De vez en mes soy invisible para intentar en lo posible no promover tu mal humor”, sou capaz de grosserias infundadas levadas a uma proporção extrema. Alguns dias se passam, fazendo-me voltar ao estado anterior e eu finalmente consigo enxergar o porque de toda essa sensibilidade aflorada. Ah – digo eu – tava na TPM. É quando eu percebo o quão exagerada fui nas reações, agradeço aos céus por ninguém ter me visto chorar enquanto assistia aqueles filmes, me arrependo das calorias ingeridas e sinto raiva de mim mesma por ter caído no mesmo clichê feminino novamente. Mês que vem vai ser diferente, me proponho. Logo me pergunto quando isso tudo vai acabar e rapidamente me lembro da menopausa e já não sei o que é pior. É, ser mulher é complexo. Isso não quer dizer, homens habitantes do planeta Terra, que vocês não possam estar errados em uma discussão. Estejamos de TPM ou não.

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